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!! DAMN !! Zine !! DAMN !! Zine
B a h ! !
#005 - São
Paulo, 3 de fevereiro de 2002.
Classificação: fictícia
Periodicidade: alguma
Tiragem: 83 exemplares
www.damnzine.cjb.net
Cuidado! Nunca leia de trás pra frente.
Telefunken. Ele estava sentado num daqueles banquinhos altos, de frente para o balcão do bar, quando um ruivo de costeletas grossas se aproximou. "Telefunken", repetiu o homem, impassível. O rapaz, balançando as pernas no topo do banquinho, achou que não era com ele e continuou tentando pescar gelo com o canudinho, indiferentemente distraído. A banda parou de tocar no bar, o ventilador girou em sentido anti-horário e a testa do ruivo se tornou uma profusão de veias saltadas. "TELEFUNKEN!!!", berrou o brutamontes, ao perder a paciência e dar uma patada no copo de uísque, molhando assim o atendente de sábado e estragando o piso de cerâmica do estabelecimento.
Diante do olhar assustado do rapaz franzino, o ruivo tirou suas costeletas do velcro, colocou os óculos escuros, pediu uma cadeirinha de vime e se sentou, cruzando os braços. Depois que os alemães entraram pela janela, arrastaram o moço baixinho e recuperaram o copo de uísque, as únicas coisas que permaneciam as mesmas eram o grandalhão sentado numa poltroninha de vime, o ventilador de teto que ainda rodava em sentido horário, o vaso chinês de violetas batavas e quatro aparelhos Telefunken 1977, sintonizados no desenho do Rupert, o Peixe Artista.
Encaminhe esse Zine para 6 pessoas, 2 abajures e 8 animais domésticos, alertando para que nunca fiquem impassíveis quando um romeno de costeletas de velcro vir sussurrar coisas no teu ouvido. Essa é a Lição Zine de hoje: acredite, sempre, no que as pessoas te contam, e nunca olhe diretamente para uma Telefunken - você pode ver o sinal em forma de couve que os gentios ostentam na testa, e aí já viu. Eles chegarão, de novo.
Desmoronou uma ponte de gelo no Himalaia. No mesmo instante, dentro da sua cozinha, no Rio, abrindo uma lata de pêssegos em calda, Marisa sentiu uma leve inquietação, como se alguma coisa tivesse acabado em sua vida. Não existe qualquer ligação conhecida entre os dois fatos.
Deus estava decididamente cansado. Com um floreio espalhafatoso, pendurou, enfim, a placa "Vende-se" na beirinha da Groenlândia. Antes de dormir, cofiando suas longas barbas e arrastando as chinelas de lá pra cá, ainda matutou se a concordância da expressão estava correta, mas, para o diabo, ele podia inventar qualquer coisa.
Tudo começou quando Ele resolveu entregar a África e algumas terras pra um sobrinho distante, a fim de que o pequenino parasse de puxar a barba e cutucar os olhos do Velhinho. Da última vez o garoto ficara tão entretido brincando com as Correntes de Ar Quente que dava gosto de ver o guri quieto, provocando desastres aqui e acolá. Mas chega de fazer desastre no Brasil, ponderou Deus, embrulhando a África, as terras do Pacífico e alguns outros mimos de presente.
Aí o garotinho começou. Papua, Kiribati, Tuvalu, Togo. Quando o Velhinho achava que não podia surgir coisa pior, o guri se deleitou inventando um país chamado Butão.
"Butão!", diziam os estagiários que trabalhavam no Almoxarifado do Senhor, rindo às pampas. "Não pode haver coisa pior".
Mas havia. Num Domingo ensolarado e particularmente tranqüilo, o sobrinho chegou saltitando e exclamando: "Tio!!! Inventei Palau!", e assim causou o primeiro ataque de miocárdio no Chefe. Foi aí que as coisas começaram a desandar: por causa de Palau.
Guerra na Coréia, crise na Rússia, terremotos em El Salvador, epidemia de meningite, ataque de nuvens de gafanhotos, Orca A Baleia Assassina, Corinthians campeão do mundo, Jigglypuff-Pokémon-de-Franjas, Windows 2000. O mundo perdeu o controle e o Bom Velhinho não dava conta. Coisas absurdas aconteciam e Deus olhava, estupefato.
"Vamos evitar a fadiga", declarou, em entrevista coletiva, após uma reunião com as lideranças das classes pequerruchas – que estavam achando tudo isso um barato. "A Terra está à venda, logo que alguém comprar esse monte de lixo eu arrumo a minha trouxa e vou pra Acapulco".
Surgiram os possíveis compradores, de bem-sucedidos agricultores de catalupos a jovens estudantes de oceanografia, todos cheios de boas intenções e projetos mirabolantes. Mas o advogado do Senhor – que tinha feito uns estágios com o Diabo, nas férias – apresentou uma papelada dizendo que os negócios teriam que ser tocados pela família.
Suspiros.
E foi assim que, em janeiro de 2001, o sobrinho de Deus herdou o mundo.
:: TRILHA SONORA
::
Ouça, leia, e compre os seguradores de milho
exclusivos do DamnZine
:: EXPLIQUE ISSO ::
Colaboração de A. Deak
O lançamento da Seleta em prosa & verso, bela iniciativa de Martins, o livreiro, foi aquele sucesso que todos viram e que ainda continua, pois são inúmeros os que vão procurar agora não propriamente o livro, mas a si mesmo e ficam outra vez de alma travessa e menineira, ao reler as páginas que estudaram há quarenta, cinqüenta, sessenta anos ou mais até: tenho um amigo de 88 anos a quem acabo de remetê-la de presente e que até hoje recita poemas decorados na sua época de escola.
(...)
Vocês não ignoram que a acolhedora casa de Erico Verissimo era uma espécie de sala de visitas do Rio Grande do Sul. Ali ocorriam itinerantes de todos os Estado. Ora, numa noite, num daqueles serões, Erico deixou sua poltrona e veio sentar-se ao pé de mim, que me achava devidamente colocado a um canto.
E como há quem pense ingenuamente que uma conversa entre intelectuais deve ser uma coisa do outro mundo (antes pelo contrário), um dos visitantes, por sinal piauiense, achegou-se sorrateiramente a nós e pôs-se furtivamente à escuta. Erico fez que não notara coisa alguma e, erguendo a voz, recorreu à Seleta: "Uma leoa famélica vagava, bramando pelas ruas de Florença".
A isto, eu imediatamente retruquei, no mesmo tom: "Waterloo! Waterloo! Lição sublime!"
Resultado: até hoje aquele piauiense deve estar de boca aberta.
"Poderia perfeitamente morrer vendo televisão. Só queria encontrar alguma coisa decente para assistir"
Sim.
Sim para todas as perguntas anteriores, menos as que
envolvem frutas cítricas, política e pessoas de biquíni.
Sua conta não está disponível no momento. Este atraso não afeta o site inteiro, mas a máquina que armazena as informações não está disponível no momento. Esperamos que esta interrupção seja breve, mas pode demorar alguns anos.
Ok.
Já
entendi.
Bastardos.
É agora q devemos agir, senhor? Tenho a pasta de pepperoni em um tubo, na minha mão direita. Na esquerda, dedos. Na do meio, algo parecido com um pífano. Não, também não sei oq é. Mas escute isso:
"Existem bolachas feitas de água e
sal.
O mar é feito de água e
sal.
Logo, o mar é um grande
bolachão."
Escutei isso hj na Sala de Redação. Pouco antes de um grande bólido em forma de Pêssego Em Calda entrar pela porta e destruir o monitor da Tarde. [aplausos]
Pausa pra cutucar o dedo do pé.
[Mais aplausos. Euforia. Empurra-empurra]
Hj acordei com a estranha sensação de estar com hepatite. Alguém me aconselhou a dar uma espiada na sola do pé (a minha, não a sua) e ver se ela está amarela. Mas não estava. Talvez porque eu estivesse de meias.
Estou aconselhando a todos que olhem suas respectivas solas do pé para ver se, bem, se elas ainda estão por lá. É um acontecimento terrível perder a planta do pé durante uma caminhada, ou enquanto se está dormindo - mas acontece.
Última coisa q eu tinha pra dizer: o banheiro feminino estava cheio de pegadas de tinta branca. Sim, as pombas estão prestes a dominar o mundo. Consigo escutá-las arrulhando juntas na sala da prefeita, enquanto amarram o secretário da Segurança Pública e bicam seus olhos. Os dois.
Viva a revolução pombalina.
Eu
31/1/02.
Ontem passei na Púque e vi um monte de estrangeiros transparentes e redondos
portando credenciais do FSM, e o "kit Fórum", que incluía um jornalzinho com
toda a programação em 9834 idiomas diferentes, desde o Ídiche até o Swahili,
passando pelo Cambojano, Aramaico e o Iorubá. Além disso, o kit continha uma
revistinha de propaganda do "Estado da Participação Popular", um Map of Porto
Alegre, e um pacote de jujubas.
Esta foi uma das inomináveis contribuições ao Zine advindas deste ser provido
de alta capacidade de discernimento, média estatura e baixo nível econo-socio-sino-russo-hipo-germano-infra-eletro-mecano-polonês
(Seja lá o que isso signifique). Prometo voltar com mais boletins interessantes,
no decorrer do período.
:: TROIS REALES::
Por Guilherme Tobias, de Porto
Alegre, França ( gui_gui_ramone@yahoo.com )
02/02/02.
É costume dos gaúchos (sobretudo dos porto-alegrenses) fazer migrações nos meses
do verão. [Que nem os frangos!] A espécie procura lugares
mais aprazíveis, quentes e arenosos, como por exemplo Tramandaí, Capão da Canoa
e a boa e velha Floripa. Por isso, a capital estadual se torna um lugar mais
propício à vida humana, já que apenas nessa época do ano é possível achar um
lugar pra estacionar no centro de graça, caminhar pelos corredores do Praia
de Belas ou entrar na lancheria do Parque. Apenas duas espécies permanecem em
Poa durante a estação, os Sem-Grana (Pauperus portoalegrensis) e os
Alunos da UFRGS (Universitarius federalis). [Nota da Editora: o autor escreve com conhecimento de causa, já
que comete o disparate de pertencer simultaneamente às duas espécies. Ele luta
para reverter isso, é claro]
Mas, às vésperas do início de fevereiro, chegam à pista de pouso do Salgado
Filho dezenas de aeronaves contendo seres humanos de todos os buracos do planeta,
desde ativistas indígenas do Peru até escritores intelectuais norte-americanos.
Mas quem realmente chama a atenção e impressiona são as criaturas que fazem
biquinho e falam engrraçado: Os franceses. Esses seres se fazem notar pela cidade,
e acabaram dominando Porto Alegre, da mesma maneira que o Napoleão fez com a
Europa no século XIX. A cidade, além do Português e do Gauchesco, ganha um terceiro
idioma: o Francês. O idioma se faz tão presente na cidade que até mesmo os camelôs
da Rua da Praia já vendem radinhos com luzinhas por "Trois Reales". A banquinha
da praça da Alfândega, famosa por vender jornais de todos os cantos do mundo,
nunca vendeu tanto Le Monde ou Le Figaro quanto nesses últimos dias.
É notável, porém, que os franceses têm alguma relação forte com o Rio Grande.
Já perdi a conta de quantas vezes li reportagens francófonas falando (bem) de
Porto Alegre e do estado - já saiu até uma reportagem no Le Monde, de meia
página, só pra falar da Carris e seus ônibus "top-de-linha", tidos como os melhores
do mundo. Mas, voltando à dominação francesa nos pampas, não é difícil explicar
o motivo de haver tanta gente fazendo biquinho em Poa: a comitiva francesa,
apesar de ser menor em número, sai na frente porque tem mais gente importante
e influente. Nada mais, nada menos do que três candidatos à presidência
da França deram as caras por aqui, todos hospedados no Hotel Plaza San Rafael,
o mesmo que recebeu os Stones em 98 e o Bad Religion no ano passado. Um deles,
Noël Mamère (candidato pelo Partido Verde), caminhou tranquilamente pelas ruas
da cidade de mochilão nas costas e chinelo de dedo, sem ser molestado por nenhum
trombadinha ou jornalista de plantão (exceto os franceses). Mamère participou
de uma conferência com a Benedita da Silva sobre reparação aos descendentes
de escravos e criticou George W. Bush por ter retirado a assinatura dos Estados
Unidos do Protocolo do Kyoto (tratado no qual os países se comprometem a poluir
menos). Além disso, não podia faltar a figura do bigodudo mais carismático do
mundo, José Bové, que esse ano veio mais moderado e jura que vai resistir à
tentação de destruir fazendas de transgênicos controladas por multinacionais
americanas imperalistas. [discordo! Onde fica o bigodudo-primordial,
o Nietzsche?]
Porém, nem tudo era festa: um bando de argentinos invadiu o saguão da PUC pra
reclamar do "imperialismo francês", vê se pode...
Nenhum argentino, francês, esloveno ou cambojano foi maltratado durante
essa tentativa de reportagem.
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Fontes de vampirismo:
- Jornal Correio do Povo de hoje
- Jornal O Sul de ontem
- Jornal do Almoço e RBS Notícias de ontem
- Yahoo! notícias
- Le Monde de alguns meses atrás (reportagem da Carris)
- Le Monde.fr (L'autre monde de Porto Alegre)
- a Mabs
- e mais o que se houve falar por aí
:: LIÇÃO TOON ::
Com o patrocínio de Bunny, o Coelhinho Calado
Nunca penteie o cabelo de forma que ele pareça uma lança.
O carro que caiu na piscina
Minha Fruta Inesquecível
A Frustração da Lontra
Bisbilhotar: Arte e Ciência
Não há mais motoristas como os de outrora
Novo Estilo de Assaltar Bancos
Adoro um Bom Mentiroso
Que está acontecendo na Turquia?
"Estou tão cansado!"
Sua Magnificência, o Alce Americano
A Ousada Aventura do Encanamento Flutuante
:: OINC ::
Mande sua resposta para vmbarbara@yahoo.com, sem limite de tamanho
ou falta de coerência
"Se você pudesse ficar amigo de um eletrodoméstico,
qual deles você escolheria?"
:: VOCÊ PERGUNTA, NÓS NÃO DAMOS A
MÍNIMA ::
Questionamentos sadios de uma sociedade doente
??? Porque o Papai Noel aqui no Brasil usa aquela enorme roupa vermelha no ápice do verão do hemisfério Sul? (Guilherme, Porto Alegre)
- Porque é fashion. Já percebeu que isso
é resposta pra tudo?
- Porque ninguém ia levar a sério um Noel de sunga.
- Porque as renas já acostumaram.
- Porque ele ganhou de presente, e não pode fazer desfeita.
- Pelo mesmo motivo obscuro que faz o bom velhinho deslizar pelas chaminés imaginárias
das lareiras do Brasil.
>>>>
Créditos Finais
:: EXPEDIENTE ::
Este Zine é impessoal. Computadores meticulosamente programados desenvolvem os textos, se emocionam com eles, revisam e publicam a visão neutra e imparcial da coisa toda. O único responsável possível é a instituição "Da Redação".... Mas mesmo assim, tivemos valiosos colaboradores dessa vez!
Ricardo Monier, São Paulo - rimonier@hotmail.com
Guilherme Tobias, Porto Alegre - gui_gui_ramone@yahoo.com.br
Altamiro Vilhena, Maçaxúcets - vilhenabr@mailbr.com.br
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... Para ser lido na maldita hora
da noite em que tudo é engraçado (que vem logo
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- Stephanie Sbrubbles
## Você está recebendo o !!DAMN!! Zine porque (bem feito!) estava na lista de indivíduos suspeitos do catálogo de endereço dos Illuminati. Caso não queira voltar a receber esse monte de lixo, mande um e-mail para vmbarbara@yahoo.com, e escreva na linha de assunto: "Me deixem em paz, por Tutatis!". Se quiser que mais vítimas recebam o Zine, também escreva para esse e-mail mandando o endereço dos condenados e o número e senha de suas contas bancárias. ##
!!DAMN!! Zine - o zine das coisas que eram, das coisas que são o que são, das que não são o que não são e das que poderiam vir a ser o que não foram. Parceiro do tablóide norte-americano "O Sol da Meia Noite", mas não olhe pra trás porque tem uma girafa fungando na sua nuca. "Tão bom como pizza de chocolate", declarou nosso leitor Avatar. "Imperdível", segundo o New York Times. "Único!", de acordo com o New York Nicks.
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