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!! DAMN !! Zine !! DAMN !! Zine

 

C r u z e s !
#011 - São Paulo, 17 de março de 2002.
Servindo a comunidade desde a abolição da bola de gude.
Classificação: cheira a guardado
Tiragem: 119 exemplares
www.damnzine.cjb.net
Parece um cesto de amoras (Aristóteles) 
 
 
 
"Elucide, meu amigo, e me fará um favor" (Cortázar)
 
 
 
:: EDITORIAL ::
Vanessa Barbara - vmbarbara@yahoo.com
 
Me solta, tuas unhas estão me machucando. Você podia parar com isso e me deixar comer o bolinho em paz, moço de preto. E tire esses óculos escuros, além de estar nublado você parece uma vespa albina.  "Todos devem ser da corporação." Hãm?? Que nariz esquisito. Quanta gente de preto, cadê o dono do bar? Cara, TIRE AS MÃOS DO MEU BOLINHO DE VERDURA! "O problema é que poucos sabem disso". Blam. Um vaso atingiu minha testa, e depois uma lâmpada fluorescente veio a pessear pelos meus olhos, numa caverna esquisita cheia de homens altos vestidos de pelúcia. Pedi meu bolinho de verdura, mas não fui atendida. Tinha um capacete esquisito na minha cabeça, e eu estava ligada a diversos fios: na cama ao lado (porque eu estava deitada, mas nem sinal do meu bolinho) havia um cão sorridente, também vestido de capacete e fios.
 
Bonita a fantasia de pelúcia. Podia ter pedido emprestada pra protestar com o Greenpeace, por alguma política de matança de ursos no Canadá. Epa. Por que sinto uma vontade absurda de coçar o focinho? Ei, alguém coce aqui meu focinho. Tire essas amarras, posso querer balançar o rabo de contentamento. E devolva o bolinho de legume, se for possível. O que aquela garota esquisita faz deitada ali, e por que esse cara vem na minha direção com uma rede de capturar borboletas?
 
Ok. Entro na jaula, tudo bem. Tchau mocinha, pare de dar a pata aos ursos de pelúcia, eles não vão entender. Teus braços servem para pegar bolinhos, agora, mas por que há tantos cães à minha volta? E o que faço na cela C-1, com esse salsichinha preto e um balde de ração barata? Será que vão me devolver o bolinho de legume? Então. "Esses aqui são os do primeiro dia", diz uma bandeirante de lenço verde. "Aqueles ali, da série A-3, não estarão vivos amanhã. Talvez se esse cãozinho aqui for considerado bonitinho, ele vai pra adoção". Adoção. Carrocinha. Ei, eu sou bonitinho. Veja como sorrio. Com um pouco de sorte, amanhã estarei na C-2 e depois na 3, e posso ir pra adoção, ou então posso ir pra sala do "Proibida a Entrada" e então nunca devolverão meu bolinho. Ô amigo da A-3, vc sabe onde fica a seção dos achados e perdidos? Preciso encontrar o bolinho de verdura. Sou tão bonitinho.  
 

:: ELEGIA 1938 ::
por Carlos Drummond de Andrade

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.

Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século, a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

 

:: OS RUSSOS UTILIZARAM UM LÁPIS  ::
por Walter Lippman, que não tenho idéia de quem seja.

Quando todos pensam igual é porque ninguém está pensando.

 

:: O PALHAÇO DA ASA ::
Clássico da literatura realista, por Stephanie Avari (tebis.b2@ig.com.br)

"Srs passageiros: Pedimos por demência, quer dizer, clemência, favor não matar o palhaço da asa, pois o mesmo se encontra na asa por motivos de segurança..."
 
Assim dizem os cartazes dos aviões, após esse trágico relato...

Essa é a história que podia ser verídica na vida do jovem e não muito astuto... hummm... Chonny (o nome foi mudado, a fim de preservar a identidade de nosso personagem irreal), que durante um vôo rotineiro de Burundi a Tocantins pensou ter visto um palhaço na asa do avião.

- "Com mil pinhões! Há um palhaço na asa! Aeromoça, tem um palhaço na asa do avião! Aeromoça!"
- "Sr, talvez devesse descansar! Não há nada com o que se preocupar"
- "Mas por Tutatis, tem um palhaço na asa!!!!! Faça algo a respeito!!"
- "Trarei um cobertor e uma acelga, talvez isso o acalme!"
 
Mas o bravio Chonny resolveu tomar uma providência, e arremessou-se para fora do avião (veja bem que o problema de pressão do ar nos aviões é somente para nós, mortais! Deixe Chonny em paz!) lutando bravamente com o palhaço!
Munido de uma acelga e um cobertor, Chonny petelecava verdurídeos na testa do pobre palhaço, este podendo apenas se defender com um sapato anil e amarelo extremamente grande e um nariz vermelho de plástico, enquanto dizia:
"Mas...ñ....mmmffff...."
Quando o palhaço caiu da asa e abriu seu pára-quedas de bolinhas roxas, Chonny, o orgulhoso, voltou para sua poltrona quando viu uma agitação acontecendo, palavras desconexas como: "derrubar... palhaço... asa... caindo... pingüim... chinchila carcomida..."

E, achando que seria algo bonito a fazer, contou sua proeza! Ao terminar, a aeromoça disse:

- "Tonto! Como pôde derrubar o palhaço da asa? -- Nesse mesmo momento Chonny viu, no outro lado do avião, outro palhaço, na perpendicular -- como você espera que o maldito avião fique equilibrado???".
 
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(para que a sociedade protetora da sanidade não nos delate à corporação, seremos obrigados a acabar a historia aki.)
Com o consentimento de:
Sindicato dos palhaços de asa do eixo Burundi-Brasil,
Acelgas Bennie,
Cobertores de fiapo para ponchos El chinchila,
Tio Bento,o maroto - Bruno,o traquinas - Cão com cara de humano, o medonho.
 
 

:: REPUGNÂNCIA::
por André Deak, o fatigado

Eu os vejo por todas as partes. Não diretamente, porque quando olho eles desaparecem. Mas sei que eles estão ali. Vejo um vulto. Atrás de um papel, sob o teclado, chegando perto dos meus pés descalços agora, enquanto eu escrevo. Mas se eu olhar eles desaparecem. Às vezes eu consigo ver algum, na parede ou voando perto da lâmpada do quarto. Mas é difícil pegá-los, eles são tão pequenos. Vejo algumas dezenas dentro de um copo que esqueci de levar à cozinha. Minúsculos. Caminhando sobre algumas peças empoeiradas na mesa. Esses eu mato com as mãos e não tiro seus corpos dali, imaginando que servirão de exemplo aos outros. Não adianta. Os corpos apenas se acumulam e juntam mais poeira. E os outros vêm do mesmo jeito que vinham antes. Eu sei o que eles querem: querem encostar em mim. Não sei porquê. Acho que é por causa do calor do meu corpo. Às vezes eu sinto uma coceira na perna ou no braço e então mexo rápido ou passo as mãos nas costas para ver se tem alguma coisa. Não acho nada. Mas sei que eles estavam lá. Ou podiam estar. Melhor prevenir. Antes era só ruim, agora está ficando pior. Agora alguns deles passam doenças terríveis. Só aqui no bairro onde moro houve seis casos de contaminação. Por eles. Antes eu chegava no quarto e acendia as luzes logo para procurar no chão e nas paredes para ver se algum deles estava lá, rastejando. Normalmente não encontrava, mas ficava com a impressão de que eles estavam se escondendo, que eu não havia sido rápido o suficiente ou que tinha olhado na direção errada durante o tempo exato para que eles corressem debaixo de algum móvel antigo e pesado. Não podia vê-los mas sentia que estavam se movendo, nas sombras, esperando. Esperando as luzes se apagarem para se aproximarem de mim e rastejarem pelo meu corpo. Coloquei armadilhas para eles por toda a parte e já encontrei vários deles mortos ao chegar, ao acender as luzes. Mas todas elas têm um prazo de validade, o veneno não dura para sempre. E não sei quando o prazo termina. Mas isso nem sempre funciona também – e nem sei se funcionou alguma vez. Talvez tenham morrido por outras causas. Por causa do calor. Não. Quando está calor eles ficam mais alvoroçados. Saem a luz do dia. Ficam mais fortes, correm mais rápido, voam na minha cara. Eles querem entrar e eu não tenho como evitar. Toda noite é a mesma coisa: eu aqui e eles se arrastando nas sombras. Eu sei. Às vezes, depois de apagar as luzes, eu posso escutar eles se movendo. Verdade. Duas ou três vezes já levantei e encontrei um deles, que estava escondido, ali, no chão, como se estivesse sentindo minha presença. Saboreando. Por duas ou três vezes passei a noite em claro tentando matá-los, arrastando móveis, procurando venenos, jogando a mobília para um lado e para o outro na esperança de isolar aquela peste. Matá-los não é tão difícil quanto encontrá-los. É apenas repugnante. Mas depois é que vêm o pior sentimento: saber que existem mais e mais, que se multiplicam aos milhões e que eu jamais poderei matar todos. E que talvez alguns deles estejam aqui. Escondidos. Rastejando. Tentando encostar em mim.

 
 
:: CORVOS, QUASE GENTE! ::
o Reader´s Digest dá os títulos e nós completamos as matérias. Lindo.

 

Querido Damião,
Ontem preenchi os papéis do crediário. Em breve terei um par de lindas luvas de pelica, para vestir minhas patas e poder enfim saracotear em superfícies ásperas, o que considero uma evolução glorificável de nossa espécie sofrida. Mas creio que isso não venha te interessar, ó amigo de longa data. Escrevo para pedir-lhe que sintonize, agora, seu aparelho televisor no canal 82, e ajuste a antena com muito esmero. Vês as imagens da passeata? Pois aquele, de negro, ali atrás, bicando o queixo do presidente, sou eu, meu amigo. Vc pode ver, se prestar bastante atenção, aquele senhor grisalho tentando se livrar de minha pessoa passarácea, e um grupo de seguranças se retorcendo no chão, sofrendo com titica no olho. Pois fiz duas investidas agudas no queixo de Vossa Excelência, depois parti para bicadas na nuca, e logo em seguida golpeei suas orelhas e face esquerda do rosto com vigorosas batidas de asa, que provocaram aqueles hematomas arroxeados que vc pode ver no vídeo. Em seguida, quando um popular (o de amarelo, com cara de tamanduá, à esquerda do logotipo da Kaiser) veio em socorro da autoridade, apenas cravei uma de minhas patas na narina do cidadão e ele veio ao chão, para alegria espetacular dos demais transeuntes que se divertiam a valer com a cena. Ao som de "enforca ele! enforca ele!", tentei circundar o pescoço do político com minhas penas cintilantes, mas ele valeu-se de uma técnica chinesa e chutou-me a barriga, a causar uma dormência terrível em meus carcomidos órgãos internos. Veja que até o câmera está gargalhando com a cena, e o senhor de azul marinho se aproximando do meu corpo momentaneamente inerte é o dono de uma emissora de TV, propondo-me um emprego de apresentador de reality show.
 
Depois de olhar com desdém ao moço de terno, e cuspir uma substância venenosa em sua direção, voltei a atacar o presidente com toda minha virulência corvídea até que os helicópteros da Swat chegaram e tive que me retirar, vencedor. Ainda lancei perdigotos à multidão, aclamado. Do hospital, a Autoridade falou em Rede Nacional que iria aumentar os benefícios de nossa classe corval, e lamenta muito o sofrimento que nos fez passar nesses 2000 anos de administração humana. Ele ainda respira com a ajuda de aparelhos, mas em breve irá renunciar da presidência e espero ser convidado para integrar o Triunvirato Governal do nosso país, com a ajuda de uma amiga gralha e um distinto representante da minoria urubu, todos devidamente limpinhos e eloqüentes perante as câmeras.
 
Deseje-me sorte, e não se esqueça de dar comida ao humano enquanto eu estiver fora.
 
Mui penosamente,
Parvo, o Corvo.  
 
 
:: BANALIDADES ::
por LF Veríssimo, o incomodado.
 
Nada me impressionou tanto no relato que li um dia sobre a queda de Berlim na II Guerra Mundial como saber que, enquanto os russos abriam caminho nos escombros, em certa partes da cidade em que havia casas de pé, o leiteiro continuava a entregar leite e o carteiro continuava a entregar cartas. Assim como a consciência sobrevive ao desumano, a inconsciência humana também tem o misterioso poder de prevalecer no caos.
 
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É confortador saber que o caos nunca será completo, ou tão completo que soterre a rotina. Ainda mais no Brasil de hoje. Ao mesmo tempo, há algo de perturbador na persistência ilógica do corriqueiro, do leite e da correspondência, num mundo em ruínas.
Anedota: um home chega num hospital com uma lança cravada no peito. Aquilo deve estar incomodando muito, comenta a enfermeira, enquanto preenche todos os formulários do Inamps.
-- Não, não. Só é ruim pra dançar.
 
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É a necessidade de que a vida e os serviços sigam seus trâmites que protege as sociedades do auto-aniquilamento. Mas há pouco consolo em saber que, no fim, devemos nossa civilização à preservação da banalidade.
 
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São as idéias justas ou os grandes delírios que movem os conflitos humanos, mas tanto a consciência como a loucura devem deferir a limpeza pública. Alguém tem que limpar a sujeira depois deles.
 
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Os leiteiros e os carteiros de Berlim são louváveis heróis da resistência do cotidiano ao caos. Mas também redimem o caos. Podem explicar seu heroísmo inconsciente com a mesma frase usada pelas gestapos do mundo inteiro. Também estavam apenas cumprindo ordens.
 
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O lema deste século: Estávamos apenas cumprindo ordens.
 
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Hannah Arendt falou que o maior crime do século foi a banalização do mal. Crime pior é o da banalidade triunfante, do cotidiano reincidente que cobre os holocaustos como se nada tivesse acontecido, ou como distúrbios passageiros. Tudo volta tragicamente ao normal. Convivemos com a memória de Auschwitz e Hiroxima com a mesma naturalidade com que convivemos com a fome do vizinho. Em vez de transformar a autoconsciência humana, os holocaustos a insensibilizaram. Só o que aconteceu foi que passamos a desconfiar um pouco mais das nossas utopias. Só é ruim pra dançar.
 
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O otimista quis convencer o cético de que seu ceticismo era exagerado.
Deu-lhe pra ler tudo o que encontrou a favor do homem. Tomos e tomos. O cético leu tudo.
-- E então -- perguntou o otimista -- se convenceu?
-- Sei não... -- disse o cético.
-- Mas estão aqui. Tomos e tomos.
-- Mas todos escritos por gente. Aliás, tudo de bom que eu ouvi até hoje sobre a espécie humana foi dito por seres humanos. Eu queria uma opinião independente!
 
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Temos um álibi. Estávamos apenas cumprindo o nosso código genético.
 
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Somos capazes desses crimes, e de continuar entregando o leite e as cartas ao mesmo tempo. Somos, decididamente, uma espécie estranha.
 
 
:: CORRESPONDÊNCIA ::
e-mails reais, bisonhos e suspeitíssimos, interceptados por uma inocente afta.
 

Olá, amigo, olá camaradas, olá banca examinadora. Olá sapo babão (eu sei que vc continua aí).

Estou rodeada por um séquito de mixiricas fofinhas (sim! acabo de pegar um gomo sem caroço, e vou orar pela alma dos catalupos agora), e pensei "eh, bem, por que não escrever uma longa e emocionante epístola cheirosa ao Papa, que tantas alegrias nos dá ao dançar nas colinas verdejantes e assoviar canções insulares, batendo uns calcanhares conforme o ritmo?". Ah, não, esse eh o Fricazóide. Sabe. A partir de hoje nunca mais verei coisas chatas na televisão, como As Baleias de Agosto (filme meu e da eskila, a propósito), mas sim programações culturais e estimulantes. Como os saudosos desenhos que não deram certo e passam na Cartoon de sol a sol, principalmente 'Ruppert o Peixe Artista'. Mas não era disso que vim falar. Na verdade estou aqui porque preciso continuar aqui. Participo de uma experiencia científica, proposta por mim, de verificar quanto tempo um ser humano pode agüentar sem fazer xixi. Na verdade estou sem fazer xixi desde outubro de 1986, mas isso é uma mentira que não pode ser sustentada por muito tempo. Então vou mudar de estratégia porque já fui descoberta.

Eu tenho 8 gomos de mixirica. Certo? Você está me acompanhando?

Pois então, acabo de comer 3. Sobraram 5. Desses 5, 1 eu separei pra Eskila, que tem fome no momento e manda um abraço a todas as criaturas inanimadas da mente perturbada do mundo. Isso porque ela não conhece a mente duplamente perturbada do sistema vc-e-seus-amigos-imagináros, que pode vir a explodir a qualquer momento e transformar o mundo em um grande conglomerado de pasta de amendoim.

Mas então. Sobraram alguns gomos de mixirica. Está acompanhando? Acho bom. 4 gomos restantes, dos 8 iniciais. E um desses gomos tinha coloração esverdeada - guarde esse dado porque lhe servirá em algum momento da narrativa. Então. Estou pensando se devo ou não devo plantar os gomos restantes embaixo do meu colchao para que nasça um pé de mixis. E gostaria da opinião de alguém especializado no assunto, como você, ou como o sapo babão (hein? saia daí. Pare de incomodar meu amigo. Sim, ele é nosso amigo. Não me interrompa enquanto eu estiver falando, e arrume essa postura mocinho). Se vc puder me ajudar, seria muito grata. A ciência agradeceria sua iniciativa e sapiência. Sabe. Eu vi um filme, na verdade não fui eu, mas a mulher do filme falava que o namorado dela ria como um macaco, com a boca aberta ao máximo, sem fazer barulho. Aí um dia ele mergulhou, e quando subiu estava rindo desse jeito. Todo mundo riu. Ele afundou de novo, subiu, e riu. Todo mundo riu. Aí ele afundou e não voltou mais. Ele não estava rindo, ele estava engasgando. Moral: se você ri com a mesma cara que você engasga, mude seus hábitos.

Eu vou embora, agora.

Gostaria de fazer xixi, se meu irmão não tivesse interditado o recinto com seu exército de sais de banho e bolinhas perfumadas de fazer espuma. Se eu tivesse um Besouro-Suco aqui (Besouro-Suco! Besouro-Suco! Besouro-Suco!) eu invadiria o banheiro e declararia território neutro da casa. Eu chamei três vezes e o Besouro-Suco não venho. Não sabia q coleópteros entravam de férias. Agora eu vou embora. É a velha história: garota pinta o braço com caracteres chineses, encontra marceneiro na rua que se ofende com as incrições, eles começam uma discussão, ela enche a boca dele de estopa e pimba: se mudam pra Manhattan e constroem um lindo chalé de alvenaria. Já vi isso milhares de vezes. Não vai se repetir. Não comigo.

Muito obrigada pela atenção, colegas acadêmicos, o mocinho vestido de Batman ali do canto e o casal sorridente, vestidos de Pikachu e Clefairy, mastigando bananas carameladas no ritmo de cha-cha-cha.

Nada mais havendo a tratar,

Atenciosamente,
Eu.

 
:: LIVROS QUE DARIA AO ANÃO RUMPELSTILSTKIN ::
por Carlos Raasch, sempre corajoso.
 
"Eu daria um daqueles livrinhos de piadas, ou melhor, aqueles aglomerados de tiras de quadrinhos, assim seu humor melhoraria, já que sua vida se resume a ver a princesa fiar ouro, o que deve ser tão chato quanto ficar sentado 2 horas na frente do micro esperando um e-mail que deveria ter chegado 2 horas antes, chegar."
 
Pergunta da próxima semana: Qual a primeira coisa que vc faria se fosse um Livro de Receitas?
Mande as respostas para Rua Saturnino de Brito, 74 - Jardim Botânico. Ou melhor. Para vmbarbara@yahoo.com.
 



:: VOCÊ PERGUNTA, NÓS NÃO DAMOS A MÍNIMA ::

> Questionamentos sadios de uma sociedade doente

??? Na França, quando alguém quer pão francês, pede pão francês ou apenas pão? (Dadá, o Breve)

Pede cuquinha. Os franceses odeiam pão francês pois é feito da banha dos monarcas franceses à época da Revolução, e assim comercializado até hj. Há freezers pra isso. Na verdade há uma indústria de congeladores pra isso. Há potinhos herméticos da Tupperware para abrigar a banha real. Assim, os franceses preferem desgustar a popular e tão desejada cuquinha e brioches de leite condensado.

??? Qual é o sinônimo de "sinônimo"? (idem)

Sicofanta.

??? Por que não há comida para gatos com sabor de rato? (ibidem)

Porque ainda não descobriram o aromatizante rato, e os técnicos discutem em simpósios qual seria o corante que mais se identificaria com um apetitoso rato. Ou ainda: os cientistas andam provando a ração de rato e acabam se demitindo do laboratório, a lamber os bigodes.

 

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Créditos Finais

:: EXPEDIENTE ::
 

Este Zine é impessoal. Computadores-robô meticulosamente programados desenvolvem os textos, se emocionam, revisam e publicam a visão neutra e imparcial da coisa toda. O único responsável é a instituição "Da Redação".


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... Para ser lido na maldita hora da noite em que tudo é engraçado (que vem logo após a hora em que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido)
- Stephanie A.

## Você está recebendo o !!DAMN!! Zine porque (oinc!) estava na lista de indivíduos manquitolas da lista negra dos Illuminati. Ou então, ou então! Você está recebendo o !!DAMN!! Zine porque foi um dos 139 mil nomes escolhidos entre todos os possíveis do mundo, sorteados em uma grande urna chinesa. Você e Li-Ching-Yang. Caso não queira voltar a receber este monte de bobagens, mande um e-mail para vmbarbara@yahoo.com, e escreva na linha de assunto: "Me deixem em paz, pelas barbas de Tutatis!". Se quiser que mais vítimas recebam o Zine, também escreva para esse e-mail mandando o endereço dos condenados e o número e senha de suas contas bancárias. ##

!!DAMN!! Zine - o zine das coisas que foram, das coisas que são o que são, das que não são o que não são e das que poderiam vir a ser o que não foram. Perfeito para forrar o chão de barracas fajutas e para embrulhar mortadela. Parceiro do tablóide norte-americano "O Sol da Meia Noite", mas não olhe pra trás porque tem um fauno fritando ervilhas nas suas omoplatas.

Já rezava a lenda que: "Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que ri cuidado para que não babe".

Mande suas contribuições!!
vmbarbara@yahoo.com

::: www.damnzine.hpg.com.br :::