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Mira, no pido mucho,
solamente tu mano, tenerla
como un sapito que duerme así contento.
Necesito esa puerta que me dabas
para entrar a tu mundo, ese trocito
de azúcar verde, de redondo alegre.
¿No me prestas tu mano en esta noche
de fin de año de lechuzas roncas?
No puedes, por razones técnicas. Entonces
la tramo en aire, urdiendo cada dedo,
el durazno sedoso de la palma
y el dorso, ese país de azules árboles.
Así la tomo y la sostengo, como
si de ello dependiera
muchísimo del mundo,
la sucesión de las cuatro estaciones,
el canto de los gallos, el amor de los hombres.
:: ATENÇÃO ::
aviso essencial, sem o qual não podemos continuar
:: HISTÓRIA
UNIVERSAL DA INFÂMIA - O IAQUE ::nesta edição, o jornalista Michael James (por Gay Talese, em O Reino e O Poder).
Michael James tinha também senso de humor, vendo o mundo de um modo peculiar; não era o planeta sólido e sério conhecido da maioria dos jornalistas do Times, mas um lugar precário, vacilante, dominado por idiotas. Essa atitude ficava evidente em suas reportagens e por isso, além de suas explorações no exterior, Michael não demorou a ser considerado um trunfo questionável do Times. Fazia gastos enormes e exóticos, tendo certa vez contratado um iaque para transportá-lo e a seu equipamento numa missão do Norte do Paquistão. Ficava às vezes sem dar notícias durante dias ou semanas e depois aparecia subitamente em Bonn ou Paria com um macaco de estimação nas costas. Publicou uma reportagem dramática sobre uma ofensiva dos rebeldes argelinos com a qual ninguém concordou. (...) Certa vez, conseguiu que o Times publicasse em sua campanha de caridade anual dos "Mais necessitados" uma doação de um dólar em memória de um velho jornalista mal-humorado que ainda estava vivo e trabalhando no jornal.
:: A VERDADE ::
numa coletânea de crônicas de Antônio Maria, da
Paz e Terra
Quanto mais poético, mais verdadeiro.
:: AMÊNDOAS ::
por Julio Cortázar, em 62: Modelo Para Armar.
O melhor livro desde Pedro Álvares Cabral. É sério. É sério.
Austin tomou conhecimento de como Polanco esperava, temorosamente, com uma ansiedade na qual entravam as noites, o amor e o ranger das amêndoas salgadas de que Célia gostava tanto, e Célia também tomou conhecimento, as cerimônias previsíveis, os sussurros da nova linguagem, totalmente esquecidos que era preciso começar a viver, deitados de barriga pra cima olhando a clarabóia onde às vezes passavam os pés de uma pomba e as sombras das nuvens. Já tão longe daquela primeira noite em que Célia havia murmurado: "Vira, não quero que você me olhe", enquanto seus dedos inseguros procuravam os botões da blusa. Eu me despira mais longe, meio escondido pela porta encostada do armário, e ao voltar havia enxergado o desenho de seu corpo sob o lençol, uma mancha de sol em cima do tapete, uma meia que parecia flutuar na barra de bronze da cabeceira da cama. Esperara um momento, incapaz ainda de acreditar que tudo aquilo era possível, jogara um roupão em cima dos meus omvros e depois, de joelhos junto à cama, puxara o lençol lentamente até ver despontar o cabelo de Célia, seu perfil colado ao travesseiro, os olhos fechados, o colo e os ombros, daí algo como uma deusa menina saindo lentamente da água enquanto o lençol continuava descendo e o mistério se tornava sombra azul e cor-de-rosa sob as manchas de sol da clarabóia, um corpo Bonnard nascendo traço a traço sob minha mão que puxava o lençol reprimindo o desejo de arrancá-lo de um puxão, revelando o mistério do nunca visto por ninguém, o nascimento das ancas, os seios mal defendidos pelos braços cruzados, a cintura fina, o sinal do nascimento das ancas, a linha de sombra que dividia sua carne e se perdia entre as coxas protetoras, a lisura da parte de trás do joelho e outra vez o familiar, a barriga das pernas bronzeadas, o diurno e comum depois daquela zona guardada, os tornozelos e os pés como cavalinhos adormecidos no fundo da cama. Incapaz ainda de alterar sua imobilidade oferecida e temerosa ao mesmo tempo, inclinei-me sobre Célia e olhei de bem perto aquele país suave de orografia. Passou tanto tempo, talvez com os olhos fechados o tempo fosse diferente, no começo fora um grande silêncio, um sapato caindo no chão, uma porta de armário que guinchava, uma proximidade, pois sentira que os lençóis escorregavam pouco a pouco, e a cada instante eu havia esperado o peso de seu corpo contra o meu para virar-me e abraçá-lo e pedir-lhe que fosse bom e tivesse paciência, mas o lençol continuou escorregando e tive medo, uma imagem diferente voltou por um segundo e estive a ponto de gritar, mas era bobagem, sabia que era bobagem e teria preferido virar-me de repente e sorrir-lhe, mas não queria vê-lo assim nu como uma estátua junto da cama, continuava esperando enquanto o lençol descia até que eu também me senti nua e não agüentei mais e me ergui virando-me, e Austin estava embrulhado num roupão, de joelhos e me olhando, e eu procurei o lençol para me cobrir mas ele o havia jogado longe e agora me olhava de frente e suas mãos procuravam meus seios, anoitecer, clarabóia sombria, passos na escada, ranger do armário, tempo, amêndoas, os chocolates, a noite, o copo de água, estrela clarabóia, calor, água da colônia, vergonha, cachimbo, manta, vira-te, assim, cansada, sentes? me cobre, batem à porta, me deixa, sede, você cheira a mar agitado, você a fumo de cachimbo, quando era menino me davam banho com água de forragem -- quando era menina me chamavam de Lala, está chovendo? aqui você pe morena, bobo, estou com frio, não me olhe assim, me cobre de novo, amêndoas, quem te deu esse perfume? Acho que foi Tell, por favor, me cobre mais um pouco, mas então era medo, por isso você ficava quieta? sim, já te conto, desculpa, não pensei que você ia ter medo, só achei que você estava esperando, é claro que esperava, que te esperava.
-- Sabe, fico tão satisfeito que tenhamos esperado -- disse Austin -- Não posso te explicar, me sentia como... Não sei, um pássaro marinho suspenso no ar em cima de uma ilhota, e teria querido ficar assim toda a vida antes de pousar na ilha, oh ri, sua grande tola, estou explicando como posso, e além do mais não era verdade que eu tivesse querido ficar assim a vida toda, é claro que não, de que teria adiantado isso sem o depois, sem te sentir chorar junto a mim.
- Cala -- disse Célia, tapando-lhe a boca. -- Grande bruto.
- Sem jeito, boba, ineficiente, escorregadia, errada.
- Sem jeito é você. Olha.
- Não há nada que possa me parecer mais lógico.
- Porque não é você quem se dá ao trabalho.
- Vou levá-la para o terraço -- disse Austin magnânimo.
- Amêndoas -- disse Célia.
:: ANOTAÇÃO FORTUITA :::: ... PARABÉNS? ::
mensagem curiosa, em http://kevan.org/brain.cgi?Vanessabárbara
Congratulations!
You have been zapped by an alien reanimation beam, or cursed by a mysterious Haitian druggist, or bitten by an escaped, virus-carrying monkey, or something, and are now a zombie, for all intents and purposes.
:: LINKS ::
links idiotas para "homens brancos
estúpidos"
HALF MAN HALF BISCUIT.>>> http://kevan.org/guestbook.cgi - Two word Guestbooko único Guestbook do mundo de apenas DUAS PALAVRAS. Dê sua contribuição.>>> http://www.misprintedtype.com - Misprinted Type
sério, esse é bom. Veja no portfólio as realizações absurdas do mocinho dono do site.
:: DICIONÁRIO DAS IDÉIAS FEITAS ::
por Gustave Flaubert, em Bouvard e Péchuchet
(parece um leão-marinho)
Ruinas -- Fazem sonhar e tornam poética a paisagem.
[Há os que pensam em limões, cronópios ou catalupos. Varia.]
??? (a pergunta é do Zé, que realmente existe) Estava eu a meditar, enquanto assistia O Retorno de Jedi (que deveria ser O Retorno DO Jedi), quando, no final do filme, percebi uma coisa:Em Uma Nova Esperança, quando a Estrela da Morte é destruída, ela já tinha sido construída, e, portanto (e basicamente) morreram apenas soldados imperiais e algo do gênero.
Em Retorno, a Estrela da Morte ainda não está completa, significando que deve haver centenas de trabalhadores - muito provavelmente autônomos que podiam nem mesmo gostar do Império e estavam lá apenas para poderem alimentar sua família, pois o Império não teria capacidade para dispor de todos os seus soldados na construção da estação de batalha - finalizando o serviço no momento em que Lando Calrissian e Wedge Antilles destroem-na.
Assim, mesmo sendo um devotado fã da sagrada trilogia, e um torcedor eterno dos da Aliança Rebelde, acho que tenho o dever de perguntar: isso não é errado?
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Créditos Finais
:: EXPEDIENTE ::
Este Zine é impessoal, objetivo e imparcial. Computadores meticulosamente programados desenvolvem os textos, se emocionam, revisam e publicam a visão neutra e apolítica da coisa toda. O único responsável é a instituição "Da Redação".
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... Para ser lido na
maldita hora da noite em que tudo é engraçado (que vem logo após a hora em
que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido)
- Stephanie A.
## Você está recebendo o !!DAMN!! Zine porque estava na lista de indivíduos manquitolas da lista negra dos Illuminati. Ou então, ou então! Você está recebendo o !!DAMN!! Zine porque foi um dos 139 mil nomes escolhidos entre todos os possíveis do mundo, sorteados em uma grande urna chinesa. Você e Li-Ching-Yang. Caso não queira voltar a receber este monte de bobagens, mande um e-mail para vmbarbara@yahoo.com, e escreva na linha de assunto: "Me deixem em paz, pelas barbas de Tutatis!". Se quiser que mais vítimas recebam o Zine, também escreva para esse e-mail mandando o endereço dos condenados e o número e senha de suas contas bancárias. Se quiser usar cartão de crédito, basta fornecer o número. (Be afraid. Be VERY afraid.) ##
"Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que ri cuidado para que não babe".
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ps - "Ficaste sozinho, a luz
apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes"
(Drummond)
