\n'; document.write(barra); } } changePage();
Acontece. Você está ali, roendo os joelhos e escolhendo quais os tocos de madeira mais lindos da parte sul da calçada, e então ela chega. Não há chance de olhar para cima e ela surge, uma senhora porrada no fígado, que te faz vomitar os dedos dos pés e cuspir as amídalas, de dois em dois, intercalando um e outro. Eu disse, “acontece”. E te deixam ali, meses a fio, comendo a pele morta do rosto, contorcido como um pimentão, chorando feito um idiota. Com o nariz na água suja, sabe? Passa um amontoado de espuma, um cão velho, uma bola de pêlo, e eles te chutam. Você, o rei da auto-suficiência, aquele ser original a quem ninguém nunca ousou lançar um só lápis.
O primeiro você pegou no ar e quebrou ao meio, o fodão. Mas era meu lápis preferido / agora você tem dois. E dava risada, era mesmo um pândego. Abriu aquela gargalhada de oito dentes, o olhar superior e sentou na calçada. Então ele vem de novo, o segundo lápis: um golpe no olho, um chute na garganta, o gosto de sangue e o silêncio. Acontece, querido, acontece. Te deixam sangrando sozinho, aquela maldita febre, a testa aberta (mas era a minha preferida / agora você tem duas), e o gosto de sal na boca – três da manhã, quatro, o mundo indiferente te olhando do alto, apontando e rindo. Você é apenas um naco de espuma suja; não consegue ser lama, água ou sangue, só uma espuma gosmenta e marrom, criatura patética que não sabe viver ou morrer.
:: O CADÁVER NÃO TARDARÁ A PASSAR ::
por François Rabelais, agachadinho na margem do rio
João Antonio estava menstruando. Aconteceu logo de manhã. Ninguém entendeu coisa alguma: João Antonio virou mocinha, e chamou as amigas pra comemorar. Os adultos compraram refri, as meninas levaram doce e os meninos, salgado.
João Antonio não sabia o que levar.
os escritores guatematelcos.
:: VENDEM-SE INÍCIOS - 3 ::
confeccionados por robôs pândegos e galhofeiros
"Não te doas de minhas galochas", resmungou a doce Geneviève, aos soluços.
Ele saiu com aquela bolsa de pano, não que isso vá fazer diferença, mas fazia frio, era noite e ele saiu de casa com uma bolsa de pano. Tinha febre. As pernas respeitavam a Velha Ordem, direita-esquerda-direita-esquerda, mas da testa saíam dois enormes ouriços, que bicavam os dois lados do cérebro e amorteciam a circulação sangüínea. Insuportável, mas se as pernas respondiam ao apelo silencioso da movimentação, por que não continuar a andar? Subia a ladeira acreditando que estava bem, com sua bolsinha de pano e um olhar vago de alienação. O estômago ainda doía, mas havia tanta coisa a se olhar, o mundo talvez fosse algo considerável: todas aquelas árvores, e as pipas, os caras idiotas lavando carros, o oba-oba de sábado, as promoções de copos da Coca-Cola; não fossem os ouriços e o soco no estômago talvez tudo estivesse bem. Talvez. Eu acho. Voltou pra casa correndo, direita-direita-direita-esquerda, tropeçando no próprio desespero, e não saiu mais. “Não irei”, tornou a dizer, convicto. A coisa doía mais em silêncio, os espinhos cavavam com enormes pás de cabo emborrachado - pelo menos não precisava encarar uma paisagem incrivelmente fora de foco, os rapazes lavando carros e o tempo passando.
Me serve um café / Que o mundo acabou, foi o que o homem murmurou no escuro, mas ninguém ficou sabendo.
:: FRAGMENTOS PARA UM BEST-SELLER
FRANCÊS ::
usem à vontade, particularmente durante o primeiro parágrafo
"Tudo tem gosto de pão",
sentenciou o tenente-coronel, esfarelando nos dentes sujos um figo gelado e
seco.
"Menos esse teco de unha", completou o militar, após retirar de dentro
de seu delicioso figo a unha de porcelana de sua prima
Brunhilde.
ou então: "Você não me leva a sério", reclamou Bianca, segurando para não deixar escorrer a lágrima que tanto satisfaria Marcos Paulo.
"Morra", gargalhou Marcos Paulo, cravando lentamente um punhal de cabo de marfim em sua omoplata, como planejara desde o início da gravidez de Helène.
"Dindililim, dadada", balbuciou Camille, a garota que queria ser má.
"Isto é apenas mais um adeus. Prometo", engasgou-se o vigilante noturno, em menção exagerada como se caísse morto. ("O sono é primo da morte", pensou a bruxa de Wisconsin, que achou melhor não causar polêmica)
O velho e sábio e parcialmente louco calmamente puxou seu cutelo, cortou o pé esquerdo da primeira-dama e o colocou no microondas por um minuto e meio.
Num ímpeto de carinho, ele mastigou lentamente o cotovelo da garota, dizendo "falta sal".
function popunder (){ var popunder = window.open("http://www.ig.com.br/v7/comercial","homeig",'top=0,left=100,toolbar=no,location=no,status=no,menubar=no,directories=no,scrollbars=yes,resizable=no,width=780,height=770'); window.focus(); } popunder(); function changePage() { barra = ""; if (self.parent.frames.length == 0){ barra = '\\n'; document.write(barra); } } changePage();Estavam na melhor fase de suas vidas. Interessante notar, no entanto, que trata-se de uma fase nunca identificada no momento em que ocorre. Ou as pessoas lembram-se que “aquela foi a melhor fase da minha vida”, ou imaginam que “daqui a uns dez anos, aí sim, será a melhor fase da minha vida”. Bem, o caso é que é nesse período da vida deles que essa história se passa.
Em uma de suas paradas pelo Brasil, em seu apartamento duplex, bebericava algum drink exótico que ele mesmo havia preparado um pouco antes, cuidadosamente, misturando os ingredientes como se produzisse alguma poção mágica que lhe dava poderes. Enquanto sacudia a coqueteleira ao som de algum jazz clássico, sorvia seu charuto cubano e viajava pela fumaça exalada. A hidromassagem, ligada, aquecia a água que, dali a poucos instantes, também receberia seus ingredientes: óleos, champagne, rosas, e o principal deles, é claro, uma garota.
Como estava só, ainda, quando escutou o som da campainha pensou que era ela. O porteiro não deixaria subir alguém estranho sem avisar. Então, vestido de negro, com sua melhor camisa de seda índia, abriu a porta que dava acesso ao elevador. Não era ela.
- Cara, tem um corpo no meu porta-malas.
***
A primeira sensação que os dois grandes amigos sempre tiveram ao se encontrar era de alegria, pelos possíveis e prováveis bons momentos que teriam. Não foi o que ocorreu daquela vez. Sua expressão indicava que não estava brincando e o sangue espirrado na camisa lhe dava um tom mais sério que o usual.
- Entre.
Háum ditado que diz: “você sabe quando tem um amigo quando pode contar com ele para se esconder. Mas você só sabe que tem um verdadeiro amigo quando pode procurá-lo para esconder um corpo”. Esse era o caso.
- Temos que ligar para o outro também. Ele vai saber o que fazer.
- Não, não vamos fazer isso! Vai acabar com a vida dele! Cúmplice vai preso também!
- Mas só ele saberá o que fazer. Só ele pode nos dar um conselho decente. O liqüidificador jamais agüentaria. E onde arrumaríamos porcos famintos a essa hora da noite?
***
O melhor deles, o único que não tinha passagem na polícia (ou, pelo menos, nenhuma que não orgulhasse os outros dois), estava assistindo O Clube da Luta, de novo, em seu telão gigante. Where is my mind?, gritava a música enquanto a cidade toda explodia. Uma de suas partes prediletas. No quarto, duas garotas dormiam, satisfeitas e semi-nuas. Em sua prancheta, o rabisco do que viria a ser o desenho delas dormindo, satisfeitas e semi-nuas. Foi nesse momento em que o telefone tocou.
***
Trinta e seis minutos depois de dois telefones serem colocados no gancho, abre-se a porta de um elevador numa cidade que dorme. Veio o mais rápido que pôde, sem saber ainda o que havia acontecido, mas sabendo que era algo importante – e ruim. Todos aqueles minutos eram tempo suficiente para que sete tequilas fossem tomadas, uma banheira fosse esvaziada e um ótimo compromisso cancelado. Planos mirabolantes já haviam sidos traçados para dar sumiço naquela garota que habitava o porta-malas, mas nenhum deles eram sensatos ou mesmo praticáveis. Ácido. Fogo. Cimento. Terra. Formigas. Quantas histórias já haviam sido escritas, músicas feitas e filmes rodados sobre pessoas que tentam esconder outras pessoas mortas? Em todos eles, que se lembrassem, sempre prendiam o assassino no final.
- O Mistério do Lago. Nesse acho que não. Era francês, não?
- Holandês. Fizeram uma refilmagem recentemente, com outro final, mas ficou chato. Eles prendem o assassino.
Eis que o elevador chega. Menos de vinte palavras descrevem ao amigo a situação tenebrosa em que se encontram. “Morta”, “porta-malas” e “não sei como aconteceu” foram algumas expressões utilizadas.
- Porra, carinha! Que merda!
Silêncio. Ele não costumava usar palavrões. O negócio era sério mesmo.
- Mas não se preocupe. De acordo com a Lei, todos têm o direito de matar alguém uma vez. Réu primário não pega nada.
- Mas eu não posso ser réu. Temos que esconder a menina. Ninguém pode saber que ela morreu, que eu a matei. Senão morro de qualquer jeito.
Era uma sinuca de bico. Ao final daquelas frases, o sentimento dos três era aquele mesmo de quando se vê, num jogo de snooker, a sua bola branca indo para o buraco. A impotência de quem sabe o que vai acontecer e não se pode evitar.
***
Na garagem do prédio, madrugada pesada, um porta-malas se abre.
- Puta merda.
- Ela é linda.
- Eu sei.
Parecia dormir, inocente e profundamente, como dorme uma criança satisfeita que sujou-se toda de calda de morango. Seu rosto lembrava a garota de algum filme noir. Era daquelas pela qual qualquer homem faz favores impossíveis, difíceis e demorados, apenas em troca de uma possibilidade remota, seja um sorriso ou uma noite de amor. Coisas que ela, com certeza, não cedia a muitos – e talvez a ninguém.
O dono do apartamento, ao volante, acena ao porteiro, que observa mas não estranha aquele Cadillac rabo de peixe sair com os três amigos noite adentro.
- Esses sabem se divertir, pensa ele, enquanto a lanterna traseira vira a esquina.
(continua...)
:: "MERDA", DISSE A
MADRE SUPERIORA ::
mais um início
subutilizado
"Inveja, inveja, inveja, inveja", repetiu o supervisor de almoxarifado em gritos guturais e uma torrente de saliva que deixava claro que estava louco. Parcialmente.
:: CORRESPONDÊNCIA ::
e-mails
reais, alcalinos e suspeitíssimos, interceptados por um inocente
nenúfar.
Eu fiquei rindo muito
por dentro.
Mas por fora continuei séria e triste.
>>>>
Expediente
Este Zine é impessoal, objetivo e imparcial. Computadores meticulosamente programados preenchem formulários, desenvolvem os textos, se emocionam, revisam e publicam a visão neutra e apolítica da coisa toda. O único responsável é a instituição "Da Redação".
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... Para ser lido na maldita hora da noite em que tudo é engraçado (que vem logo após a hora em que nada faz sentido e antes daquela em que tudo faz sentido) - Stephanie A.
## Você está recebendo o !!DAMN!! Zine porque estava na lista de indivíduos manquitolas da lista negra dos Illuminati. Ou então, ou então! Você está recebendo o !!DAMN!! Zine porque foi um dos 139 mil nomes escolhidos entre todos os possíveis do mundo, sorteados em uma grande urna chinesa. Você e Li-Ching-Yang. Caso não queira voltar a receber este monte de bobagens, mande um e-mail para vmbarbara@yahoo.com, e escreva na linha de assunto: "Me deixem em paz, pelas barbas de Tutatis!". (Fnord keeps a spare eyebrow in his pocket.)
"Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que ri cuidado para que não babe".
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nos pusieramos todos
contentos sin preguntar
por