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Porque
Cooper morreu correndo
#047 - São
Paulo, 8 de janeiro de 2004
"A produção de patê deve ser revista" (oesp, 25/5/82)
"Quem pode saber o que Delírio vê através de
seus olhos desiguais?"
Admirável mutante autolimpante,
Então era isso o tempo todo.
Buchas vegetais de massagem -- eu devia ter desconfiado. Aquelas escapadas
no meio da noite, os cotovelos lisos, o ar de quem acabou de limpar
a pia e não se lembra por quê, ahh, era óbvio, e pensar que eu e Mary
Jane quase
[[..todos têm isso, não tem?
as palavras, desconexas, saindo aos montes pelo orifício do ouvido
sem que você saiba para onde desviá-las, talvez para um lugar onde não
possam machucar ninguém e ali, sozinhas, resolvam numa reunião de cúpula
fazer um vago sentido. Bom, fique com elas.]]
Pergunto: você sabe onde posso
comprar palha? Pois o senhor parece o tipo de sujeito que consegue
encontrar qualquer coisa existente ou improvável no Universo em apenas 72
horas. Como aquelas empresas especialistas em tudo, onde os caras do cinema
vão pedir uma trupe de anões ruivos contorcionistas que cospem fogo e 712
galinhas de cerâmica com a inscrição "FIDÍPEDES" no bico, para um filme
pornô ou algo do tipo. Praticamente um Google humano, diria alguém,
provavelmente o cheiroso velhinho Bias.
Quanto a mim, gostaria
apenas de encontrar um monte de palha para ofertar aos nubentes e uma pedicure
gorda, de preferência gripada. [Quando eu era miúda e não queria
ir à escola, os vizinhos me diziam que, se eu não estudasse, eu me
transformaria em PEDICURA. Assim mesmo, com "a" no final. Eu morria
de medo, porque imaginava um monstro molengo, verde e pastoso com o cabelo
na frente da cara. "Pedicuuuraaaaa", eles sussurravam, e eu saía correndo.
Hoje, mesmo não tendo crescido, amadureci horrores e desconfio que
os vizinhos são psicopatas com problemas nos pés. Fim.]
Mas o que eu quero dizer
é: de uma vez por todas, não me faça correr pelas ruas
de pijamas, procurando onde é que você se enfiou e gritando "CORREEEEIO".
Ou "pedicura", para assustar
os passantes.
Não de novo.
Cubra-se de instrumentos
de cutelaria
são os votos de
pensamento de Lu Xun, que deve
significar "é o meu nome, e daí?", em chinês
A primeira pessoa que experimentou
um caranguejo deve ter provado uma aranha também, mas percebeu que não era
boa para comer.
:: HISTÓRIA COMPARADA DAS TESOURINHAS
DE UNHA ::
breve informe sobre coisas
vermelhas
O Curral de Mancúspias do pequeno
Cristian avisa (faz tempo, é verdade) que chegou ao fim o intrépido
projeto Rayuel-o-matic. Isso significa que agora os pagãos podem ler, no
conforto de suas pantufas, o conteúdo integral do Jogo da Amarelinha
(Rayuela, do Cortázar). Tá bom, tá bom, os capítulos ainda
estão bagunçados [o 65 e o 116 são nossos], mas dá pra acompanhar a
seqüência pelo índice. Caso você tenha uma regüinha.
:: MAMÃE-NÃO-ME-PERCA-NO-PIRES-DE-CHANTILI ::
por Mark Twain, que roía os joelhos quando ninguém reparava
...Somos apenas microscópicos
vermes ocultos no sangue de uma enorme criatura, e é com essa criatura
que Deus se preocupa, não conosco.
:: SAPATEIROS
DOENTES EM FRANCA CHEGAM A 80 ::
d'O Estado de S. Paulo, 11/5/82
Desculpe, mas todos
se emocionaram e ninguém pôde guardar forças para
ler a notícia.
:: ANIMAL CHANNEL ::
imagine uma locutora
de documentários da TV Cultura. e uma bolinha branca de luz curativa.
Outrora rei dos animais, o impávido
Leão hoje é um pobre velho. [pausa respeitosa] Atormentado por pequenas pulgas
e explorado pelas doces lampréias, que lhe cobram altíssimas taxas pelo consumo
do ar, o Leão boceja e olha para a câmera, decididamente patético.
- episódio II, a Selva
-
Nos dias ímpares de Fevereiro,
o peru dança. Chacoalhando suas penas e coordenando as patas, ele é a atração
da ilha. [imagens despudoradas] Nas épocas mais chuvosas, ele chega a
passar cento e vinte e oito horas bailando ininterruptamente, em seu passinho...
curioso. Vejam como ele dança. Ao fundo, uma hiena de papo-marrom se diverte
às pampas com o colega bobo.
- episódio III, o contentamento
-
As altivas mulas-sem-cabeça,
enquanto eqüinas mutiladas, adoram dedicar-se ao bordado. (...) A imagem que
você vê no canto esquerdo da tela é de Ícaro, o Jegue, acenando para os parentes
e exibindo seu delicado arraiolo marrom.
:: EU
ARRANCO PEDAÇOS DA ORELHA E OFEREÇO PARA AS MOSCAS ::
depois não diga que não avisei
A palavra do dia é "promoções", seguida
diretamente pela sentença "Preencha o cupão". A justificativa, embora desnecessária,
vem a seguir: tem um cara, gaúcho provavelmente, que vive de ganhar coisas
da caridade (ou do Departamento de Marquetchim das empresas). O cara participa
de um concurso da Doriana e ganha margarinas, daí no da Pullmann ele
fatura pães de forma, no da Nestlé ele ganha uma casa, no da Nabisco
um carro, no da LBV um órfão e assim por diante. Taí. O cara sobrevive
de completar frases e responder qual a marca de remédios que vive
no coração da gente. [Provável trocadilho com os Xaropes Marcapasso - AQUI
-, não, AQUI]
Daí que, nos próximos meses, a sala
de Redação da Hortaliça irá abrigar um exército de criancinhas
escravas, estudantes de publicidade e representantes da família Esquilo
para povoar o mundo de frases estúpidas ("o que você faria para ganhar 3
anos de fraldas grátis e cinco saca-rolhas em forma de sardinha?"), e assim
garantirmos nosso sustento pelo menos até o fim do mês. Se não der certo
e a fartura não baixar na nossa morada, tentaremos, nesta ordem: o
ocultismo, a engenharia mecânica, a charutaria, a aeromodelagem e, por fim,
o Jornalismo (de má-fé, é claro).
:: EMOLIÊNCIA
E CREMOSIDADE ::
por favor, contrate-nos para redigir informações farmacocinéticas
de corticosteróides tópicos
parágrafo,
letra maiúscula:
O
hamster siberiano possui bochechas expansíveis, usando-as para a armazenagem
de alimentos.
-
fim. -
:: INICIAÇÃO
CIENTÍFICA ::
bendito é o fruto de nossas leituras úteis
(...)
Um achado estatístico deste trabalho é o encontro de freqüentes casamentos
entre mulheres com artrite reumatóide e homens com úlcera péptica, o que
caracteriza uma ligação neurótica entre mulheres agressivas e controladoras
e homens passivos e dependentes.
[ahhh,
os acadêmicos]
:: FÓSFOROS ::
por Érico Veríssimo, o Pai
Desde
que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me animado até hoje a idéia
de que o menos que um escritor pode fazer, numa época de atrocidades e
injustiças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade
de seu mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos ladrões,
aos assassinos e aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da náusea
e do horror. Se não tiverem uma lâmpada elétrica, acendamos o nosso toco
de vela ou, em último caso, risquemos fósforos repetidamente, como um
sinal de que não deserdamos de nosso posto.
:: PORQUE
OS LEGUMES TAMBÉM TIRAM FOTOS ::
embora sempre nos sobrem os feijões dos Bingos de cartela
cheia
A
Hortaliça ganhou mais um prêmio, e desta vez não foi roubado. Dito
isto, gostaríamos de dividir nosso contentamento anunciando que,
a partir de agora [AGORA], os dez primeiros leitores que acessarem
o site e gritarem MERDA! irão compartilhar conosco de uma folha inteira
do livro Chatô, que veio por engano, só pode ter vindo por engano. Vejam
o edital, regulamento e ficha de inscrição no seguinte local: [http://www.ig.com.br/home/igler/artigos/0,,1440065,00.html (Jornalismo
Literário IgLer)]
:: CADERNO
DE NOTAS #2 ::
pequenas observações medonhas à margem das folhas
"eles são como vacas mas têm
uma corcova nas costas e pastam imóveis como figuras na caixa do leite"
:: "VEM AÍ O MAGNÍFICO
SOVINA DAS FINANÇAS" (21/6/63) ::
historinha para aterrorizar crianças
O
governador Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto (1910-1987) era
uma figura pacata e atarefada. Talvez fosse distraído. Enquanto ocupava-se
em ser Ministro da Fazenda, em criar a Fapesp, em receber o título
de cidadão osasquense ou em escrever “Hermenêutica das Leis Fiscais”,
não fazia a menor idéia de que viraria nome de Rodoviária, justamente
do maior Terminal da América Latina (o Tietê), batizado em 1982 de
“Terminal Rodoviário Governador Carvalho Pinto”. Não podia imaginar,
o pobrezinho. Como também não imaginam as 66 mil pessoas que circulam
diariamente por lá.
:: REVISTA PARA MULHERES
GRÁVIDAS ::
de como nossas publicações muito devem ao Reader's Digest
dica
de leitura para as férias das mocinhas grávidas:
"o
livro (...) conta a história de um estrangulador que trucidou 37 vítimas,
intoxicou o pai e a mãe com gás, jogou os próprios filhos do penhasco,
enforcou a esposa e matou com maldade outras pessoas que tiveram o azar
de cruzar com ele."
:: FRASE ::
mais uma colaboração de Francisco Kafka
A partir de um certo ponto, não há mais retorno.
Esse é o ponto que se precisa atingir.
:: GENERATOR COPY-PASTE ::
preencha sua matéria-padrão sobre os feriados e saia do trabalho
mais cedo
O movimento de saída dos paulistanos
que pretendem deixar a cidade neste feriado de
já é intenso nas principais
rodovias. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego),
é lento o trânsito nos principais corredores da cidade, entre
eles as Marginais Pinheiros e Tietê, pistas expressa e local, em
ambos os sentidos e em praticamente toda a extensão. Nesta manhã/tarde,
foram registrados ____ quilômetros de lentidão. A previsão
é de que ____ carros deixem a cidade até amanhã.
A Polícia Rodoviária Federal
informa que o movimento já é intenso na rodovia __________,
para quem deixa a capital. A Ecovias, empresa que administra as Rodovias
Anchieta e Imigrantes, informou que _____ carros utilizaram o sistema
até as ___ horas, em média de ____ por minuto, quase ____
por segundo. A Ecovias prevê um total de ___ veículos até
o término do feriado, dependendo das condições do
tempo na capital.
Já a rodovia _________ apresenta lentidão
por conta de um acidente envolvendo ____________, por volta das ____ horas
de hoje. O motorista deve evitar o trecho interditado, que vai de _________
a ________. As informações são de que a pista deve
ser liberada a partir das ___ horas, horário de Brasília.
Os três terminais rodoviários
da cidade, administrados pela Socicam, apresentaram movimento tranqüilo.
De sexta até quarta-feira, ____ mil passageiros devem embarcar
e desembarcar nos terminais do Tietê, Barra Funda e Jabaquara. Só
no Terminal Tietê, foram ___ mil pessoas, ___ crianças e
___ animais peçonhentos. A empresa Socicam estima que ___ mil pessoas
sairão da capital entre sexta e sábado, embarcando nos três
terminais. Esse movimento é ___% maior que o do ano passado.
:: AREIA ::
Hans C. Andersen
De noite, quando as crianças ainda
estão à mesa, muito quietinhas, ou sentadinhas em seus bancos, ele sobe
a escada muito devagar, abre a porta sem fazer barulho e sopra areia
nos olhos delas.
:: ESCRAVOS DE JÓ ::
Egidio Squeff, na II Guerra, para Joel Silveira
"Lá vem o Hemingway, que, além de chato,
é burro. Como é que alguém não consegue aprender a jogar uma bobagem dessas?"
:: DA HORTALIÇA COMO
COMPULSÃO ::
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RONG>
tirado do livro do Humberto Werneck, que veio na caixa e brilha
no escuro (o livro, não o H)
(...) A compulsão jornalística em Belo
Horizonte era tamanha que uma certa Adelina Corroti, não dispondo de recursos
para pagar a impressão, manuscrevia o seu quinzenário O Poste em
uma folha de papel almaço e o afixava num dos pontos mais movimentados da
cidade.
:: 450 PARALELEPÍPEDOS
::
por Will Eisner, um dos três velhinhos-chave deste mundo Afora
Vistas de longe,
as grandes cidades são amontoados de grandes prédios, grande população
e grandes áreas. Para mim isso não é "real". O "real" é a cidade tal como
é vista por seus habitantes. O verdadeiro retrato está nas fendas do seu
chão e em torno dos menores exemplares de sua arquitetura, onde se faz
a vida do seu dia-a-dia.
:: IDÉIA
SÚBITA ::
do 701-U como berço cultural da Modernidade
Poderia
existir um planeta chamado Afora, não poderia?
:: ENCONTRAMOS
::
sempre existe um redator mais infeliz que você. Este, por
exemplo.
"Tradicionalistas, elas pisam
no tapete vermelho com vestidos de noiva brancos e são recebidas pelos
noivos, que usam fraque. O casamento acontece em hotéis cinco esrelas
da cidade ou nas residências dos donos. Na falta do padre, alguém mais
desinibido oficializa o matrimônio, que na maioria das vezes tem tapete
vermelho, damas de honra e viagem de lua-de-mel, com direito a necessaires
personalizadas para os recém-casados.
Antes do casamento, ela tem
direito ao sonhado Dia da Noiva. Nesta data tão especial, ela deve chegar
por volta das 9h30. Para relaxar, primeiro ganha um banho com aromaterapia.
Depois vai brincar e se divertir no parquinho, gastando as energias.
Um profissional especializado
a ajuda em um dos momentos cruciais do casamento: a entrada da noiva.
Assim, fica descartada uma pavorosa gafe.
Duas horas antes da cerimônia
começam os preparativos finais para o tão esperado momento. No último
banho é passado um shampoo especial para dar brilho na cor da pelagem
e as unhas são feitas. A cadela é vestida com o modelito rendado inteiramente
branco criado exclusivamente para ela. Passa perfume importado e aguarda
ansiosa o carro que a levará até o local do casamento. E, muitas vezes
dentro de uma limusine, ela espera, trêmula como qualquer noiva."
Nota d'A Hortaliça:
O serviço custa R$ 50 para noivas de pequeno porte e R$ 100,00 para
as maiores. Durante a cerimônia, é permitido -- aliás, obrigatório
-- chamar a noiva de cadela.
:: CONFIRMAÇÕES
DE RECEBIMENTO ASSUSTAM ::
quando alguém te responder antes que você pergunte, corra
Daí vem uma confirmação
de recebimento do-email-que-você-mandou-ao-INAMA, Instituto Nacional de
Mediação de Riscos e Arbitragem (?), e depois surgem todas as 287 mensagens
trocadas com as velhinhas anarquistas do Canadá, ao mesmo tempo, então parei,
pensei e percebi que era hora de fazer alguma coisa que nos tirasse desta
vida idiota. Russo instrumental com os monges do mosteiro São Bento
-- aposto que deve fazer bem. No mínimo, uma cosquinha.
:: ITEM ::
e. e. Cummings, porque é legal recitar para os vizinhos
this man is o so
Waiter
this;woman is
please shut that
the pout And affectionate leer
interminable pyramidal,napkins
(this man is oh so tired of this
a door opens by itself
woman.) they so to speak were in
Love once?
now
her mouth opens too far
and:she attacks her Lobster without
feet mingle under the
mercy.
(exit
the hors d’oeuvres)
tem aquela frase, "Enganamo-nos em acreditar
que vivemos em paz só porque podemos ir à padaria sem que sejamos atingidos
pelos disparos de um franco-atirador". É como os cisnes negros. Não
vê-los não quer dizer que não existem, pelo contrário, pode apenas significar
que são mais espertos e estão ali, atrás do tapume, esperando você bobear.
O sentido não é bem esse, mas, quem se importa.
Então. Imagine que um dia
desses, repentinamente, você resolva ir comprar enroladinhos assados
na Panificadora do Peninha e seja atingido pela metralhadora giratória
de um hediondo frango-atirador (com a inscrição FIDÍPIDES talhada no
bico, talvez). Terrível, hãm? O tipo de coisa que a gente vê no jornal
e diz que nunca vai acontecer com a gente, não comigo, talvez com a
vizinha de cima, que faz ginástica às 6 da manhã ao som de Vanilla Ice.
Engano o seu. Nunca se sabe quais são as estratégias que eles ("eles",
mesmo) estão bolando para eliminar os sujeitos inconvenientes que
copiam definições de Fnord nos rodapés dos TCCs (ver pg 162, "como exterminar
idiotas"), já que o mercúrio no suco não deu certo e aquela ratoeira
gigante na entrada da escola, convenhamos, não convenceu ninguém.
Importante:
antes de desmaiar, ferido, em cima do pacote de enroladinhos cheirosos,
certifique-se de que não haja nenhum outro ser surrealista perto do
frango, que o padeiro não esteja correndo de costas com uma sacola de
objetos cirúrgicos ou que seu dedão do pé não esteja sendo mordiscado
por algo ou alguém. Afinal, todo mundo sabe que "para toda Conspiração
existe uma Conspiração igual e contrária" acontecendo ali mesmo, o que
pode ser perigoso para quem está deitado de barriga pra cima no meio
da rua, apoiado em um monte de enroladinhos murchos de presunto e queijo.