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cubram-se de caramelo
(e não leiam tudo
de uma vez. faz mal)
...Domingo à tarde, salada de agrião de almoço e nada na tevê, aquele
aroma de azeite barato grudado às paredes, por Deus. Uma senhora gorda com cara
de enzima de nome Gertrude entrou sem bater e começou a esfregar minhas partes
íntimas com Pato Purific, pra ver se tirava o óleo. Apenas um dia pachorrento
sem grandes problemas digestórios, repleto de tédio e imprecação me aguardava,
quando o vi. Sim, um cuscuz farelento cercado de sucos esquisitos e mucos da
pior espécie, o Bolo Alimentar mais charmoso que eu havia encontrado. Ele
chacoalhava com graciosidade, escorando-se delicadamente nas minhas paredes
estriadas e lançando olhares sensuais toda vez que dançava, a movimentar os
lindos pezinhos de pelica. Oh, nunca vou me me esquecer daqueles loucos
instantes em que me apaixonei pelo Cuscuz Castanho e senti a vida transbordando
em meus poros, radiando emoções intensas, revelando sentimentos profundos, ah,
foi deveras efêmero! Em instantes eles chegaram e levaram o Fofo Cuscuz de mim,
os porcos arrogantes oleosos movimentos peristálticos, ainda cuspiram pra
trás e deram risada. Foi então que meu adorado bolo alimentar revelou
sua face mesquinha e entregou-se lascivamente ao estômago, sem ao menos jogar um
pedaço de azeitona como prova do seu amor. Ó cruel, sádico destino, por que
renegaste tua cria mais dileta?! ....
(continua na pestilenta edição de março de 1972, quando o Esôfago
de João se encontra com a Tíbia de Maria e ambos saem para tomar um capuccino no
Frans Café da Vila Madalena. Realmente instrutiva, esta série de
matérias).
Tio
Otterson dispôs os móbiles metodicamente a uma distância padrão xis,
considerando a velocidade da brisa e a disposição dos espelhos do quarto.
Otterson seguia rigorosamente os preceitos do Feng Shui. Nunca
sapateou pois considerava ofensivo o ato de firmar os pés em ângulos
tortos, às vezes voltados de frente um para o outro, desafiando todas as leis da
prudência planetária. Mas voltemos ao adorável bebê Catarina, que tentava
alcançar o móbile laranja como tentava chupar o dedão dos pés ou morder o
próprio rabo.
Naquela
tarde, depois que Tio Otterson colocou a bailarina ao lado do grande móbile
quadrado (por causa dos maus fluidos vindos do armário de mogno), muita coisa
aconteceu sobre o berço. O quadrado menor chocou-se com um dos guizos e
começaram a discutir loucamente, até que a bailarina deu um chute certeiro na
bolinha de cobre, o sistema balançou perigosamente e bloft!, o pequeno quadrado espatifou-se
no chão, acordando a lânguida Catarina.
Ela
olhou feio para os lados e tentou novamente alcançar o gato laranja, lá no alto,
soltando gritinhos nenêuticos, mas seus dedos só encontraram a bailarina
insolente e um enorme pêlo – que estava passando por ali e ainda não tinha
entrado na história. Catarina deu uma risada engraçada e soltou o maldito fiapo,
que poderia ser um pedaço de pena, um naco de tecido ou apenas um pêlo voador
desocupado, como os outros tantos que flutuam por esse mundo afora. O pêlo
continuou seu caminho (esperando posteriormente encontrar amigos e formar uma
grande bola de felpo), o bebê gargalhava com histeria, a bailarina seguia seu
caminho e o queijo de pelúcia não quis se manifestar sobre o assunto (desculpe).
Eis que Catarina, num esforço
desesperado para alcançar o maldito Gato Gordo (antes que ele irritasse os
leitores), perde o equilíbrio e cai do berço. Com outra gargalhada típica, leva
o quadrado menor à boca e descobre que, apesar de pequeno, ele é grande o
suficiente para obstruir suas vias respiratórias até a asfixia. Com o aspecto
arroxeado da pele, o bebê Catarina ganha um espaçoso túnel de luz e – enfim – a
companhia de um Grande e Roliço Gato Laranja, que tinha se entediado do ula-ula
dos móbiles, fez uma trouxa de comida enlatada e resolveu passar desta para
melhor.
E depois
dizem que a disposição das coisas não tem nada a
ver.
Minha mãe caiu na estrada
Foi morar na cidade de Kerouac Lowell Massachusetts USA
Dali Kerouac fugiu mas voltou para buscar sua mãe e só aí morrer
Ali minha mãe acorda todo dia cedo
Esquece as dores nos joelhos esquece que nunca viu o seu neto e vai alegre fritar batatas na Wendy’s
Enquanto pensa que tem um emprego
enquanto pensa que se existe Jesus não é o mesmo de Kerouac e Bush
suas batatas reluzem no óleo
estáticas clandestinas órfãs queimam.
Primeiro,
desdobre a presente bula. Se você está lendo isto aqui é porque já passou dessa
fase, portanto é dispensável descrever o modo correto de desdobrar o papel de
instruções, mesmo porque seria preciso outro desses papéis de instruções para
esmiuçar o procedimento, papel que logicamente estaria dobrado – e para
desdobrá-lo seria preciso outro, enfim, a loucura acabaria por tender
ao infinito e não é disso que estamos falando. Pois bem. A primeira
providência (após desdobrar o papel, como já alertamos) é analisar a forma
geométrica do sorvete mencionado. Se cônica, você terá tempo de ler as
instruções antes de pô-las em prática, visto que a massa cremosa não derreterá
tão rápido. Se cômica, esqueça as instruções e lamba sem pestanejar o maldito
líquido, por todos os lados. Por cômica entende-se a forma que se assemelha a um
aspargo corcunda com dores no fígado, a um retângulo devastado por vespas
africanas ou (para ficar bem claro) a uma massa carcomida e pestilenta de algum
corpo sebáceo não identificado, extraído de uma orelha ou de outra parte do
corpo também não identificada.
Voltando
à opção Um, analise a forma e consistência do sorvete e pegue papel e caneta. É
a hora de rascunhar a estratégia, desenhando triângulos azuis para os ataques
pela retaguarda, círculos concêntricos para as investidas com o dente e bolinhas
tímidas para as tentativas frustradas que envolvam nariz e testa. Atenção!
Resista à tentação maligna de morder a ponta da casquinha, abaixo de onde se
segura o cone de biju. Do contrário, o inevitável acontecerá: os anjos
decerão com trombetas, o caos se apossará do universo e a massa cremosa de
pistache tombará como um gordinho no tobogã, resultando numa previsível e
justificada chacota do vendedor de tutsi frutsi.
Para
decidir se urge abordar a massa de sorvete pelos cantos ou pelo
topo, faz-se necessário utilizar a fórmula da aerodinâmica e resistência do
ar, que consiste em multiplicar o cubo da potência indefinida à hipotenusa da
variável "Xis", tal que X seja menor ou igual
a....
Querido
Damião,
Ontem
preenchi os papéis do crediário. Em breve terei um par de lindas luvas de
pelica, para vestir minhas patas e poder enfim saracotear em superfícies
ásperas, o que considero uma evolução glorificável de nossa espécie sofrida. Mas
creio que isso não venha te interessar, ó amigo de longa data. Escrevo
para pedir-lhe que sintonize, neste instante, seu aparelho televisor no
canal 82, e ajuste a antena com muito esmero. Vês as imagens da passeata? Pois
aquele, de negro, ali atrás, bicando o queixo do presidente, sou eu. Sim, meu
bom amigo, e pensar que nós dividimos a merenda em ’77. Se prestar bastante
atenção, poderá conferir aquele senhor grisalho tentando se livrar de minha
pessoa passarácea, e um grupo de seguranças se retorcendo no chão,
sofrendo com titica no olho. Pois fiz duas investidas agudas no queixo de
Vossa Excelência, depois parti para bicadas na nuca; logo em seguida golpeei as
orelhas e face esquerda do rosto com vigorosas batidas de asa, que provocaram os
hematomas arroxeados com leve aroma de benjoim que você pode ver no vídeo. Em
seguida, quando um popular (o de amarelo, com cara de tamanduá) quis prestar
socorro à autoridade, apenas cravei uma de minhas patas na narina do cidadão e
ele veio ao chão, para alegria dos demais transeuntes que se divertiam a valer
com a cena. Ao som de "enforca ele! enforca ele!", tentei circundar o pescoço do
Homem com minhas penas terroristas, mas ele valeu-se de uma técnica chinesa e
chutou-me a barriga, golpe que ocasionou uma dormência terrível em meus
carcomidos órgãos internos. Veja que até o câmera está gargalhando com a
cena, e o senhor de azul marinho se aproximando do meu corpo momentaneamente
inerte é o dono de uma emissora de TV, propondo-me um contrato como apresentador
de reality show.
Depois
de olhar com desdém ao moço de terno e cuspir uma substância venenosa em sua
direção, voltei a atacar o presidente com toda minha virulência corvídea até que
os helicópteros da S.W.A.T. chegaram e tive que me retirar, com um sorriso de
canto. Ainda lancei perdigotos à multidão e fui ovacionado pelas meninas mais
novas. Do hospital, a Autoridade falou em Rede Nacional que iria aumentar
os benefícios de nossa classe corval, e lamenta muito o sofrimento que nos fez
passar nestes dois mil anos de administração humana. Ele ainda respira com a
ajuda de aparelhos, mas em breve irá renunciar da Presidência da
República e espero ser convidado para integrar o Triunvirato Governamental,
com a ajuda de uma amiga gralha e um distinto representante da minoria urubu,
todos devidamente limpinhos e eloqüentes perante as
câmeras.
Deseje-me
sorte. E não se esqueça de dar comida ao humano enquanto eu estiver
fora.
Mui
penosamente,
Parvo, o
Corvo.
:: WEST COUNTRY GIRL ::
Nick Cave
:: O MILAGRE DAS JARDINEIRAS
FLORIDAS ::
da edição #32
Há muito
tempo, numa pradaria distante, um irlandês de sobrancelhas ruivas cultivava sua
jardineira.
Dividia
o ínfimo espaço de terra em camadas coloridas, a saber: margaridas, rosas,
crisântemos e tartarugas (ignore), sem contar o espaço do girassol, que
nascia sorridente na outra ponta. O irlandês não entendia bolhufas de botânica
e, portanto, não sabia que tudo aquilo era impossível. Assim, continuou
cultivando as miúdas daquele jeito mesmo.
Certo dia, os vizinhos bateram-lhe à porta. A crise econômica tinha chegado à Irlanda (mesmo isto aqui sendo uma fábula e as complicações financeiras não atingirem tais mundos). Todos estavam famintos e só ele possuía uma faixa de terra para cultivar guloseimas. Polidamente, pediram que o irlandês arrancasse as flores do local e desse espaço a uma horta comunitária, provavelmente de batatas-doces.
Pois o
ruivo olhou furtivamente para seus botões e teve medo que as flores
se magoassem com o que haviam acabado de ouvir. Expulsou os cidadãos do recinto
e amaldiçoou seus antepassados, animais de estimação e cômodas de cerejeira.
Pôs-se a olhar para as queridas plantinhas, com a barriga vazia e o coração
saltitante, dizendo-lhes palavras doces e entoando canções antigas para que
fossem dormir em paz.
Então, no dia seguinte, nasceram ali mesmo dezenas de suculentas batatas.
O irlandês colheu-as e colocou-as numa grande cesta, para oferecer aos vizinhos e fazer as pazes. Sobe BG. Nesse mesmo instante, contudo, veio a impiedosa neve, prendeu sua patinha e matou todos os crisântemos. Sem pernas mas ainda vivo, apanhou a cesta de batatas - onde, curiosamente, só havia begônias.
Então o irlandês (que não conhecia a oração da Formiguinha) morreu de desgosto e frio ali mesmo, para desespero do editor da revista, que terá que encontrar uma moral para esta história.
Caríssimos,
Meu nome é Silas, tenho 32 anos, 1,78m de altura, 68 quilos, olhos castanhos, testa estreita, sou católico, sensível e a favor da democracia, contanto que deixem meu pufe em paz. Recebi a Hortaliça em uma manhã de abril e fiquei estupefato com uma das seções que vocês teimam em manter toda semana. Sou redator-júnior da conceituada Seleções do Reader’s Digest há mais de 40 anos, o que faz minha mãe perguntar quando é que me tornarei redator de fato, ou quando irei jogar fora a faixa branca e passar direto pra redator-sênior. Minhas atribuições na revista são, respectivamente: trocar as lâmpadas, polir janelas, inventar trocadilhos idiotas, tossir, declamar poemas e elaborar bons títulos. Sim, sou eu o Homem dos Títulos. E fiquei bastante magoado com vossas momices dirigidas às matérias sobre a Lontra, o fêmur de João, a circulação linfática e tantos outros assuntos de relevância Nacional, e, por que não?, humana. Gostaria de saber para onde mando meu currículo.
I'd like to have some children. I'll probably adopt a bunch of Mexicans and live out in Pico Rivera and watch a black and white TV set with a T-shirt on and a beer in one hand and dogshit on the lawn.
Primeiro,
pega-se um rolo de barbante, daqueles que se usa para embrulhar presentes de
aniversário. Em seguida, unta-se (com cuidado, leitor, com cuidado) o barbante
em uma massa cremosa de penas, xarope, folhas e cola colorida, cuja receita está
anexo. Após esperar secar (esta etapa costuma ser danosa para os que colam o
dedo muito facilmente nos lugares), você pode encarar sua pequena obra de arte:
um fiapo camuflado. Contemple-a desinteressadamente.
O passo
seguinte é encontrar um martelo, uma chave de fenda e um fio de cabelo grisalho
de um sujeito de 43 anos, juntar tudo e levar ao fogo brando. Atenção: não deixe
derreter a massa pastosa, e use-a para acoplar (como uma grande plataforma
alada) ao fiapo camuflado que descrevemos anteriormente. A censura não nos
permitiu veicular a fotografia do componente final, mas que fica bonito, ah se
fica.
Para que
a receita da Gosma Abstrata Contemporânea logre êxito na hora de assaltar um
banco, deve-se cuidar para que nada saia errado. Primeiro, coloque o componente
Ferro-Penas-Xarope-Barbante e o que mais você quiser dentro de uma grande
sacola, bem lá no fundo, ocultada por um gato. É importante que se escolha um
daqueles gatos desbotados, cujo nome normalmente é "Gato", para não despertar
suspeitas.
Entrando
no banco, a sacola deve apitar na máquina de sucção de cérebros do banco, digo,
na máquina que dispara ao detectar metal. Simpaticamente, você tirará o pequeno
bichano de dentro do engradado e dirá algo como: "é só o meu Gato, que fez um
transplante de cócoras (pois ele estava sem as dele) e teve que colocar pinos
metálicos"; ao que provavelmente te deixarão seguir sem problemas. Se os guardas
desconfiarem e descobrirem o Composto Surreal, diga que é um aparelho para fazer
abdominais ou uma suqueira.
Se depois de todos esses contratempos você conseguir passar, finalmente coloque o Engradado Esquisito e Disforme no topo da cabeça, como um chapéu, perpassando o barbante camuflado pelas costas; suba em cima de um dos cones das filas, comece a grasnar e dance. Enquanto isso, seu comparsa (orientado pelo artigo seguinte desta série especial) estará previamente disposto em "M" no lustre de diamantes do banco e, quando você gritar: "lúpulo!", milhares de nozes orientadas irão atingir os olhos dos atendentes, quicarão no lustre e voltarão direto para os narizes dos guardas, que esbarrarão nas câmeras do circuito interno
fazendo
com que finalmente você possa saltar os corpos feridos, cumprimentar o comparsa
no lustre e recolher o saco de moedas que você esqueceu anteontem no caixa.
Antes de
começar, deixemos uma coisa bem clara: após discussões longuíssimas e
intervenções pouco democráticas, resolvemos contar esta história do meu jeito, e
tire este plural de Majestade daqui, pombas. A redatora que cá escreve jura que
Rolf é o cão que acha coisas, bastante opinativo e comentarista dos assuntos de
relevância nacional – o resto do mundo, desprezivelmente bobo, sustenta que Rolf
só executa o trabalho de Longuinho (o Santo), a achar pedaços de grampo, meias,
chaves perdidas, crianças com medo. O que, convenhamos, não teria a menor graça.
Findo este aparte, vamos às considerações gerais.
Rolf foi
encontrado esta manhã nos arredores de um bar decadente na zona leste,
esparramado na sarjeta a conversar com Silas (o velho bêbado) e a intelectual
Luft, a minhoca que faz contas. Rolf havia sido demitido do emprego em uma
repartição pública por não realizar o trabalho a que fora designado –
obviamente, o de achar coisas. Pois os funcionários, a secretária e o chefe
pediam para o cão encontrar chaves do carro, pacotes de folha sulfite,
documentos protocolados, barras de ouro e assim por diante, mas Rolf apenas se
sentava na mesinha, ajeitava os óculos e postulava: "creio que estes pequenos
incidentes são apenas reflexos de uma política leviana adotada por esta
lamentável empresa, a encorajar furtos insignificantes no aparato administrativo
do Governo, e, conseqüentemente, roubos cada vez maiores e mais bem planejados.
Acredito que seja preciso desenvolver, com bastante urgência, uma cultura
corp..." – e a secretária Motors (filha do General Motors, que lhe deu este
emprego) saía da sala meio nervosa, procurando o maço de sulfite sozinha.
Pois
Rolf estava cansado de ser apenas um cão inglês, daqueles que farejam crimes e
prendem os suspeitos. Gostaria, sim, de adquirir renome pela invejável
truculência opinativa. Luft, a minhoca que faz contas, acreditava que 40% dos
cães farejadores sofria deste mesmo drama, mas nenhum possuía o dom celestial de
Rolf: ele realmente achava coisas, tinha posições ideológicas consistentes sobre
questões éticas e merecia ser ouvido. Seiscentos e quarenta e cinco dos 982 cães
entrevistados não sabia nem lamber as patas, quanto mais discutir sobre política
externa dos países árabes (Luft era a melhor amiga de Rolf, e se achava 87% mais
legal que as outras minhocas).
Por que
eu cataria pulgas?, você deve estar perguntando, e eu nunca saberia responder.
Só sei que me colocaram aqui nesta estufa horrorosa, cercado de materiais
químicos, tubos de ensaio, conta-gotas, frascos de amônia, olhando fixamente
para uma luz de publicitário e me pediram: "ei, Norbert, pare de esfregar o chão
e venha aqui um instante." Sim, pois não, desculpe, boa noite, deseja alguma
coisa? Parece que precisavam de um modelo pra colocar na capa da Reader’s
Digest, então eu achei bonito e fui posar de cientista catador de pulgas.
Enquanto isso, uma repórter chamada Jucemara, muito criativa e neurótica,
inventava um certo melodrama de um biólogo que estudava pulgas e mosquitos da
dengue, e acabou se tornando uma lamínula gigante não se sabe como. Ela pediu um
nome, e eu disse: Ernest Hemingway, e até soletrei pra coitadinha, pois ela
achou bastante charmoso e colocou na reportagem. Sugeri também que ele não se
transformasse em lamínula, mas em uma estante para tubos de ensaio - o que ela
refutou prontamente, a dizer "ninguém mexe! na lamínula ninguém mexe!". Começo a
achar que ela tem algo de pessoal e não resolvido com a dita lâmina. Voltei a
esfregar o chão.